2025, e eu ainda tentando continuar.

O Ano em que Eu Morri de Novo

O Ano em que Eu Morri de Novo

2025, e eu ainda tentando continuar.

“A mente é uma gaiola onde os fantasmas do passado fazem morada.”
Imagem simbólica que representa a persistência e o desgaste emocional expressos no poema ‘2025 e eu ainda tentando continuar’, de Dário Junior

Às vezes minha mente parece uma armadilha construída com perfeição. Não pelos outros. Por mim. Ela me leva para os mesmos corredores escuros, repetindo cenas como fitas gastas que não param de tocar. E, por algum motivo, nunca são os momentos bons que voltam. São os erros, os silêncios, os gestos incompletos, as palavras mal colocadas, os adeuses não ditos — ou ditos tarde demais.

Relembro pessoas que chegaram e partiram como se tivessem um prazo de validade. Algumas eu tentei manter, mesmo quando elas já haviam ido embora há muito tempo. Outras, eu nem tive chance de explicar. E fico me perguntando se o que fiz foi suficiente. Mas já nem sei mais o que significa "ser suficiente".

Eu lutei. Isso é o que posso dizer com mais certeza. Dei segundas chances. Terceiras. Expressei desconforto. Falei do que doía. Mas, muitas vezes, parece que ninguém ouve quando a dor não grita alto o bastante.

Talvez tudo na minha vida tenha prazo curto. Coisas ruem, relacionamentos evaporam, promessas se desmancham. E mesmo com todo o esforço, o fim vem como uma sentença que já estava escrita. Um roteiro que eu só fui lendo cena após cena. A derrota vem com gosto de esforço inútil.

“Pausa tá na partitura, mas eu faço pausas demais.”

Essa frase ecoa. Porque mesmo no meio do caos, eu me calo. Às vezes para não causar. Às vezes porque estou cansado demais para insistir. E nesse silêncio, vou me apagando aos poucos. Não por escolha, mas porque parece que meu volume nunca é suficiente para alguém ouvir.

2025 mal começou, e já me quebrou. Confesso. Esse ano, eu morri de novo. Não de um jeito literal. Mas daquela morte que te tira um pedaço. Que esvazia a alma. Que rouba o brilho dos olhos mesmo quando você ainda acorda, ainda caminha, ainda sorri por educação.

Sei que há quem diga que tudo é aprendizado, que tudo passa, que fases ruins também acabam. Mas hoje, agora, nesse momento exato em que escrevo, tudo parece um eco de derrotas anteriores. Como se cada tentativa tivesse o mesmo fim: o silêncio de quem não ficou, a ausência do que não voltou, o vazio que já me conhece pelo nome.

E mesmo assim, eu escrevo. Porque talvez escrever seja o que me resta. Porque se eu morri de novo esse ano, talvez isso aqui seja o meu sussurro dizendo: “save me.”

 

~Dário Junior

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